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11.02.19

Um janeiro para ficar na História

mapa com máximas

Na tela, as temperaturas máximas às 15h de 31 de janeiro – sétimo recorde de carga no mês - Fonte: CIRAM/EPAGRI.

 

Neste ano, janeiro trouxe altas temperaturas e muitos temporais. Segundo relatórios do CIRAM/Epagri, a onda intensa de calor já chegou com o Ano Novo, trazendo máximas acima de 30°C em boa parte do Estado, que chegaram a 40°C em Joinville, na região Norte, logo em 3 de janeiro.  

Ao longo do mês, as temperaturas máximas permaneceram freqüentemente altas, em algumas regiões acima dos valores típicos da estação mais quente do ano. O calor crítico das tardes se prolongou também no período noturno: “Noites e madrugadas tiveram temperaturas altas, acima de 25°C; o que, em outras épocas do ano, é o valor da temperatura máxima”, aponta o relatório do CIRAM emitido pelos meteorologistas Marcelo Martins e Gilsânia Cruz.

Isso coincide com a avaliação feita pelo chefe do Departamento de Comercialização da Celesc, eng. Gustavo Cavalcante de Carvalho Rocha, logo após a demanda bater recorde na área de concessão da Celesc por três dias consecutivos – de 15 a 17 de janeiro.

Analisando os dados comparativos das temporadas de verão 2016-2017, 2017-2018 e 2018-2019 (gráfico abaixo), Gustavo destacou a linha vermelha, que representa o verão atual, com valores se sobrepõe aos anos anteriores: “Nós podemos perceber que a curva da demanda está mais alta”, apontou.

carga total

Fonte: DPCM/Celesc.

Ele destacou ainda, na ocasião: “A demanda está alta não somente no período da tarde, onde tivemos o recorde nos dois dias, ou à noite, quando entra o sistema de iluminação pública. Ontem, por exemplo, o pico da noite reduziu apenas 20% da demanda máxima”. Ele se referia aos valores da curva de carga ao longo de 17 de janeiro (veja abaixo).

 curva da demanda 17

 

Fonte: DPCM/Celesc.

 

O relatório CIRAM mostra também que esse mês de janeiro registrou o maior número de horas com temperaturas acima de 30°C em Florianópolis.  Veja, no gráfico abaixo, a seqüência de dados no período de 2002 a 2019. Esse total de horas (108) é 217% superior ao total do ano passado e 30% acima de 2015, em que houve o recorde anterior.

grafico horas calor janeiro

Recordes - Acompanhando o calor, a demanda por energia na área de concessão da Celesc também bateu recordes históricos – ao todo, foram sete recordes apenas em janeiro. Mas houve ainda um registro histórico de demanda em 12 de dezembro. A última Súmula do Mercado de Energia Elétrica, produzida pelo Departamento DPCM/DCL, relata que foi “um fato inesperado o recorde de demanda máxima ocorrer em dezembro, possivelmente por conta da temperatura máxima registrada em 12 de dezembro – 32,8C°, a maior do bimestre”.

Gustavo Cavalcante estima que esse recorde extraordinário decorre também das atividades de final de ano: “Possivelmente, essa demanda foi resultado do trabalho mais intenso de fábricas, indústrias e lojas em função, especialmente, dos festejos de Natal”.

No entanto, janeiro traria outras novidades: sete recordes de carga no sistema elétrico da Celesc, sendo seis deles em dois blocos de dias consecutivos. Confira no quadro abaixo o valor nominal dessas demandas e o intervalo de tempo entre a demanda de 2017 e 2018.

demanda desde dezembro

Fontes: DPOP e DPCM - Celesc.

A próxima ilustração mostra a curva de subida dessa demanda, já considerando ainda o recorde de 12 de dezembro de 2018. A diferença entre os valores da demanda máxima de 12 de dezembro e 31 de janeiro soma 545 MW – ou o equivalente aproximadamente a duas vezes a demanda máxima de toda a cidade de Florianópolis no mesmo período do ano passado. Para comparação genérica, é a mesma carga de 500 mil aparelhos de ar condicionado modelo Split (12 mil BTus/1.096W).

recordes demandas

                                                                                                          Fonte: DPCM/Celesc.

Observe no gráfico abaixo o volume de carga global no sistema elétrico da Celesc ao longo do dia 31 de janeiro de 2019.

demanda global 1

O gráfico adiante mostra a demanda por mesorregiões, onde se diferencia, com grande destaque, para a carga total do Vale do Itajaí que inclui as demandas de Rio do Sul, Blumenau, Brusque, Itajaí e Balneário Camboriú.

 

demanda global mesoregioes

 

 

Os gráficos mostram que o horário da demanda máxima em 31 de janeiro coincide, na maioria das regiões, com o horário de temperatura máxima – 15 horas.

demanda por regioes

 

 

ClimaOs temporais também marcaram janeiro, com chuva de intensidade moderada a forte, muitas descargas elétricas (raios) e queda de granizo, além de ventania forte. O principal episódio do mês aconteceu na região da Grande Florianópolis em 24 de janeiro. A chuva persistente trouxe muitos transtornos para alguns municípios do Litoral Norte e, especialmente na Grande Florianópolis, região em que o acumulado chegou a 217 mm em poucas horas. Isso significa que choveu em um bairro de Florianópolis, no caso, o Centro, mais do que o esperado para o mês inteiro, em torno de 200 mm.

caos no transito

O relatório do CIRAM explica que essa chuva ocorreu devido ao deslocamento de uma frente fria pelo Litoral de SC, associada à circulação marítima (transporte de umidade do mar para o continente) e à temperatura elevada da superfície do mar (entre 27°C e 29°C).

Para o sistema de distribuição, as altas temperaturas somadas às fortes tempestades de final de tarde representam desafios: “Esses fatores, juntos, sempre exigem nossa atenção máxima, pois o sistema atinge grau de utilização próximo do limite. Em janeiro, houve aumento significativo de ocorrências emergenciais atendidas pelos nossos eletricistas”, afirma o chefe da Agência Regional Florianópolis, eng. Adriano Luz.

Segundo Adriano, o último mês mostra uma situação absolutamente atípica, principalmente quando comparado a outro mês fora do verão: “A média mensal de transformadores substituídos, por conta de defeito, fica em 35... Só neste janeiro, as trocas chegaram a 160, ou seja, tivemos aumento de 357%!”.

lago 16 jan 1

A Agência atuou muito também nas chamadas "faltas de fase", onde há a necessidade de intervenção da equipe na rede de distribuição – seja inspecionando, retirando vegetação jogada sobre a rede ou repondo condutores: “Houve um aumento de 120 % nessas ocorrências – foram 2.205 ocorrências atendidas”.

Aumentaram também a abertura de religadores nas subestações: “Ao todo, foram 146 aberturas. Isso representa aumento de 95%, se comparado com a média mensal, fora da estação”, aponta Adriano.

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SAIBA MAIS

Confira na entrevista com a meteorologista Marilene de Lima, CIRAM/EPAGRI, (foto abaixo) algumas informações sobre calor e sensação térmica.

marilene mQual é a relação entre umidade e temperatura no verão?

Essa relação tem mais influência na sensação de calor. Dias quentes e mais úmidos dão maior sensação de desconforto do que os dias quentes e secos. É que o umedecimento da pele pela transpiração, nos dias úmidos, tem mais dificuldade de evaporação do que nos dias secos. Isso faz com que a gente guarde um pouco mais de calor. Nos dias secos, o suor acaba secando mais rapidamente e nos dá uma sensação maior de frescor. Os dias quentes, porém mais secos, são menos desconfortáveis do que aqueles com umidade muito alta.

 

Em Santa Catarina, onde estão os locais mais úmidos no verão?

As áreas mais baixas, de vale, onde há grande umidade no ar em função dos rios e, geralmente, em fundos de vales, aí temos uma umidade do ar muito alta. O exemplo é o Vale do Itajaí, com cidades muitos úmidas. Assim, as temperaturas altas acabam trazendo muito mais desconforto. Isso sem falar nas conseqüências atmosféricas como a maior condição de nebulosidade que pode causar aqueles temporais com maior atividade elétrica, muito raio... A condição para formar nuvens mais carregadas e mais pesadas, com potencial de temporal de chuvas, e as conseqüências como granizo, rajadas de vento, e descarga elétrica são bem maiores nessas regiões.

 

Em que período do dia se verifica a maior temperatura no verão e qual é a relação com a irradiação solar?

A inclinação dos raios solares em relação à superfície do solo se modifica desde que o sol nasce. Conforme vai avançando o dia, esses raios atingem a superfície da Terra com inclinação menor, então eles se tornam mais perpendiculares e a eficiência dessa irradiação é maior.

Por isso, o aquecimento é mais intenso naqueles horários em que o sol está mais a pino, entre 11 horas da manhã e duas horas da tarde. Aos pouquinhos, a superfície vai se aquecendo e devolvendo para a atmosfera esse aquecimento. Então, somando o aquecimento da irradiação solar, a gente tem a irradiação da Terra, que afeta as camadas inferiores aumentando ainda mais a temperatura do ar que nos rodeia, a temperatura fica mais alta.

Por isso, existe essa defasagem entre a hora do dia em que a incidência do Sol é maior e o horário em que a temperatura é bem mais alta, a máxima do dia. Então, você tem o sol a pino ao meio-dia (a menor inclinação dos raios do sol) e a radiação máxima chegando à superfície terrestre com o termômetro marcando o aquecimento máximo lá pelas três ou quatro horas da tarde. Ou seja, com um "atraso" de duas a três horas em relação ao sol a pino...

Neste verão, nós temos tido temperaturas muito altas, perto e até acima dos 40 graus...

Sim, já tivemos em 3 de janeiro, 16 de janeiro e 30 de janeiro temperaturas bastante altas. Os registros no estado ficaram bem próximos da casa dos 40 graus, porque tivemos temperaturas de 39.66 ou 39.80 que, arredondando, ficam na marca dos 40 graus.

quadro temperaturas m

 

A previsão era de verão muito quente. Estamos sofrendo com o dito fenômeno El Niño?

Para chamar de fenômeno El Niño, precisamos de algumas condições atmosféricas conjuntas como o aquecimento de 0,5 graus acima da média na superfície do mar, nas águas na região de monitoramento do oceano Pacífico, por três meses consecutivos, e o enfraquecimento dos ventos alísios. Assim, teríamos que verificar essas condições ao longo de cinco meses, mas estamos em quatro meses que, pelo menos, a condição de temperatura acima da média no Pacífico central se verifica.

Talvez no final de fevereiro, a gente tenha a confirmação desse fenômeno embora ainda falte outra condição, os ventos alísios. Pela temperatura, até haveria essa condição, mas a rigor teríamos que esperar. Então, estamos num ano de neutralidade climática. Nesses anos, pode-se esperar um verão mais quente ou até mais frio; tudo vai depender do que estiver predominando e nesse ano, são as altas temperaturas no verão. Mas não temos ainda o El Niño configurado, somente o registro do aquecimento das águas do Pacífico...

 

E o que pode ocorrer, se ele se confirmar?

Se ele se configurar e persistir durante o período de outono e inverno, isso traz maior ocorrência de chuvas em nosso estado e, com isso, um período de outono-inverno mais ameno. Essa condição de nebulosidade faz com que as temperaturas não caiam tanto, então não seria um inverno tão rigoroso...

 

Reportagem por Vânia Mattozo – Assessoria de Comunicação Celesc.
Colaboração de Departamento de Comercialização/Diretoria Comercial e Agência Regional Florianópolis. 
Apoio externo: CIRAM/Epagri – Marilene de Lima, Gilsânia Cruz, Marcelo Martins e Maikon Alves, e AlertaBlu/PMB – Francine G. Sacco.